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terça-feira, 3 de abril de 2012

Leitura de jogo, Espaços e Poderes de Acção

Todos estes conceitos de que temos vindo a falar, EJE, CJD, ECP, ZF, para além de serem critérios de leitura do jogo e do seu nível relativo por parte dos treinadores na sua observação armada, podem e devem ser conceitos integrados pelos próprios jogadores e que constituem referências comuns para o seu jogo coordenado colectivamente. Mas para isso é preciso ensiná-los, progressivamente, aos jogadores.
É também claro que a leitura de jogo se liga aos poderes de acção dos jogadores (poderes técnico-físicos). De certo modo um jogador só lê no jogo o que pode fazer, e pelo contrário, os seus poderes de acção exigem a leitura adequada.
Para além destes conceitos de Espaço e dos Poderes de Acção dos jogadores, há índices, - indicadores - no jogo que também contribuem sobremaneira para a leitura de jogo. Na próxima mensagem iremos falar deles.

domingo, 1 de abril de 2012

O "Corredor de jogo directo"

Continuando a definir conceitos que nos permitem ler o jogo, hoje trazemos o importante conceito de "Corredor de jogo directo" (CJD). O CJD, que eu tenha conhecimento, foi pela primeira vez definido pelo professor de Educação Física francês, Justin Teissié, que era também especialista em futebol, num livro de 1961.
Consiste esse CJD, num corredor com cerca de 2 metros de largura e que vai do jogador atacante ao cesto. Há quem tenha feito um desenvolvimento desse conceito e considere que tanto os jogadores atacantes com bola ou sem ela têm esse corredor. Além disso, distinguem o CJD do jogador com bola como sendo a Radial que é um termo da circulação rodoviária que significa uma estrada que traz da periferia ao centro de uma cidade. A periferia é também outro dos conceitos que estão articulados ao CJD e ao "Espaço de jogo efectivo" (EJE). (Ver figura em baixo)
Este conceito (CJD) permite distinguir o jogo directo do jogo indirecto. No primeiro, o ataque consiste em passes ou dribles penetrantes, em lançamentos, em situações de 1X1. Quando a bola sai deste corredor então considera-se que há jogo indirecto.
Também este conceito permite aferir da capacidade e nível de jogo dos jogadores e equipas, tal como os anteriores conceitos que temos vindo a definir: o "EJE", o "Espaço de Finalização"; o "Espaço Corporal Próximo". Com eles podemos ler o jogo produzido. Por isso podemos afirmar que são critérios importantes de leitura do jogo de basquetebol que os treinadores devem dominar e que também são importantes para os próprios jogadores. Fazem parte da línguagem do jogo, e são referências comuns, cujo domínio faz com que o jogo individual, grupal e colectivo se possa articular devidamente, desde que também sejam desenvolvidos concomitantemente, as técnicas individuais e colectivas que os concretizam.

sábado, 19 de novembro de 2011

Ensinar a fazer "jogadas" ou ensinar a jogar por conceitos?

"Nós sentimos que ensinar crianças a jogar basquetebol usando os quatro conceitos básicos (selecção de lançamento; manejo de bola sem cometer erros; mover-se sem bola e ajudar-se uns aos outros a libertarem-se dos defensores) é melhor do que ensinar-lhe jogadas (pattterns) ou movimentos. Uma equipa com uma boa selecção de lançamento e que não faz erros com a bola será muito difícil de defender para a equipa oposta. E se acrescentarmos o movimento sem a bola e a ajuda mútua para se libertarem dos defensores, estaremos numa posição em que o ataque dessa equipa será muito bom. Nada pode ser mais ineficaz do que uma jogada (pattern) que corre com mau manejo de bola ou má selecção de lançamento."
Bob Knight e Pete Newell, in Basketball. Accordind by Knight and Newell.