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domingo, 27 de novembro de 2011

Educar a capacidade de "leitura de jogo".

"Preocupação permanente é... a de conseguirmos que os jovens percebam o porquê das acções que realizam, enquanto jogam.
Ser capaz de "ler o jogo" é fundamental para que o praticante seja eficaz nas suas acções. É a leitura de jogo que permite que as respostas sejam as mais adequadas à situação. Trata-se de uma capacidade tão educável como qualquer outra, através da nossa intervenção.
Antes de mais, exigindo sempre que o jogador veja o jogo antes de decidir o que fazer; depois, através de "feed-back" substantivos nas situações de jogo que o justifiquem.
A intervenção deverá ser, como é óbvio, adequada ao nível dos praticantes, devendo estar claro o que já são capazes de "ler" (exigir sempre, não permitir regressão) e o que queremos que aprendam a "ler" em seguida (reforços positivos).
Isto é, o jogo dirigido é um meio essencial para educar a capacidade de leitura de jogo."

Hermínio Barreto e Mário Gomes, in "A concretização de uma unidade didáctica em basquetebol"

sábado, 19 de novembro de 2011

Ensinar a fazer "jogadas" ou ensinar a jogar por conceitos?

"Nós sentimos que ensinar crianças a jogar basquetebol usando os quatro conceitos básicos (selecção de lançamento; manejo de bola sem cometer erros; mover-se sem bola e ajudar-se uns aos outros a libertarem-se dos defensores) é melhor do que ensinar-lhe jogadas (pattterns) ou movimentos. Uma equipa com uma boa selecção de lançamento e que não faz erros com a bola será muito difícil de defender para a equipa oposta. E se acrescentarmos o movimento sem a bola e a ajuda mútua para se libertarem dos defensores, estaremos numa posição em que o ataque dessa equipa será muito bom. Nada pode ser mais ineficaz do que uma jogada (pattern) que corre com mau manejo de bola ou má selecção de lançamento."
Bob Knight e Pete Newell, in Basketball. Accordind by Knight and Newell.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

"O acto táctico em jogo"

Com o título desta mensagem, saiu em 1969 em França e nos anos 80 em Portugal, um dos livros mais importantes no que concerne à análise daquilo que é mais estruturante nos jogos desportivos colectivos: o acto táctico. O seu autor, Friedrich Mahlo, treinador e professor da antiga Alemanha Democrática, escreveu-o na década de sessenta em ano que não consegui discriminar.
É uma análise profunda do conteúdo que pretendeu tratar, esmiuçando as componentes do acto táctico e desembocando em recomendações sobre a formação deste aspecto dos jogos. Formula princípios, fases e conteúdos da formação táctica e termina com a sugestão de um programa de jogos para a infância correspondente aos alunos do 1.º ciclo.
Ainda hoje este é uma livro a não perder na formação de qualquer treinador. Se há muito que entretanto se desenvolveu nesta área do conhecimento, muito se deve às ideias expressas por Mahlo.
Terminamos esta mensagem com uma das definições de acto táctico dadas por este autor alemão de leste: "consiste em resolver praticamente, e no respeito de todas as regras em vigor, um grande número de problemas postos pelas diversas situações de jogo; esta resolução deve ser simultaneamente rápida e deliberada, visando o maior êxito possível da actividade global. O acto táctico implica o desenvolvimento das qualidades físicas, a formação do "savoir-faire" e a aquisição de conhecimentos que deveriam ser utilizados de maneira reflectida e sensata, para se poderem resolver os problemas que se levantam." (pag 17) 
Se alguém me souber dizer do que é feito deste autor e de outras obras por ele escritas eu agradeceria muito. É que, para além do livro que aqui falo e de uma colaboração em outro livro de autor colectivo sobre Basquetebol, editado pela Estampa, não sei de mais nada que entretanto ele tenha feito.


terça-feira, 1 de novembro de 2011

A leitura de jogo no ataque

A leitura do jogo, no ataque, compõe-se da leitura da defesa adversária e da leitura do ataque próprio, tendo por base o conhecimento da estrutura estratégica da sua equipa.
O jogador precisa sempre de ter uma visão alargada do que está a acontecer: onde estão os defensores, como estão defendendo, onde estão os seus pontos fortes e fracos (estes últimos já deverão ser são trazidos do estudo prévio ao jogo mas terão de ser confirmados ou não no próprio jogo).
Por outro lado, embora sabendo previamente como a sua equipa quer jogar no ataque, o jogador precisa de verificar o que realmente está a acontecer com os seus colegas: as suas posições, as posturas, e se estão a ser dominantes ou dominados, etc.
Só quando são feitas em paralelo as duas leituras é que se pode dizer que a leitura de jogo está a ser realizada devidamente.
Na leitura da defesa é só olhar na perspectiva inversa.
Sobre esta temática, remeto-vos para um excelente escrito do treinador Mário Barros, no site do Planetabasket, onde além de uma análise teórica ele propõe exercícios de melhoria desse importante aspecto do jogo. E não se esqueçam de abrir o artigo completo em pdf.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Problemas tácticos essenciais do jogo

Tacticamente, pode dizer-se que o basquetebol consiste num conjunto de quatro tipos de problemas de ataque entrelaçados com quatro tipos de problemas da defesa. Resolver esses problemas é tarefa individual dos jogadores e colectiva das equipas.
Assim, o primeiro problema do ataque é conservar a posse da bola logo depois de a ter adquirido. A seguir, e se a posse se tiver realizado longe do cesto, o seguinte problema do ataque é o de fazer progredir a bola para a zona de finalização. Chegados à zona de finalização, o problema existente é o de criar uma oportunidade/situação de finalização. Por fim, o derradeiro e principal problema do ataque é encestar.
Do lado da defesa podemos colocar o reverso da medalha. Assim, à posse do ataque corresponde a tentativa de recuperar a bola por parte dos defensores. A seguir incumbe à defesa contrariar a progressão da bola. Caso não consiga de todo fazê-lo, segue-se o tentar impedir ou prejudicar a criação de oportunidades de finalização pelo adversário. Por último, no sentido de proteger o cesto, a defesa deve tentar obstaculizar a finalização adversária.
Todos estes problemas, na sua forma básica, existem em todos os níveis do jogo, desde o Minibásquete à NBA. O que é diferente é o grau de complexidade do problema e as soluções respectivas exigidas.
Evidentemente, do ponto de vista estratégico, existem algumas equipas que prescindem de algumas fases da defesa ou então, a posse da bola é adquirida tão imediatamente e tão perto do cesto adversário que se segue por vezes logo a oportunidade de finalização.
O basquetebol pode ser assim concebido como um conjunto de problemas. Ganha geralmente a equipa que tem um maior número de soluções
Quando fores ver um jogo, ao vivo ou em video tenta ler o jogo com esta grelha de problemas.